Métricas para revistas científicas

Scopus divulga o CiteScore 2025: o que o número diz e o que não diz

Meio de ano é temporada de métrica. No dia 5 de junho, a Elsevier liberou o CiteScore 2025, a atualização anual do indicador que acompanha o desempenho de citação dos periódicos indexados na base.

Se você já abriu a página de uma revista e viu, lado a lado, um “Impact Factor” e um “CiteScore” com valores bem diferentes, essa é a hora de entender por quê. Os dois medem coisas parecidas, mas não iguais.

O que o CiteScore mede

Em poucas palavras, o CiteScore calcula a média de citações que os trabalhos de um periódico receberam ao longo de uma janela de quatro anos. Nesta edição, entram as citações feitas entre 2022 e 2025 a tudo o que a revista publicou nesse mesmo intervalo. E há um detalhe que faz diferença: além de artigos e revisões, o cálculo considera também trabalhos de eventos, capítulos de livro e data papers. É um retrato mais largo da produção do que costumamos ver em outros indicadores.

Por que não é o mesmo que o Fator de Impacto

A confusão é frequente, então vale separar as duas coisas. Embora ambos tentem resumir a “influência” de um periódico em um único número, eles chegam lá por caminhos diferentes:

  • Base de dados — O CiteScore vem da Scopus; o Fator de Impacto (JCR) vem da Web of Science. Como as duas bases não indexam exatamente o mesmo conjunto de títulos, o total de citações contabilizado muda.
  • Janela de tempo — São quatro anos no CiteScore contra dois no Fator de Impacto. A janela maior tende a suavizar oscilações e costuma favorecer áreas em que a citação demora mais a aparecer.
  • O que conta como publicação — O CiteScore inclui mais tipos de documento no denominador, o que também desloca o resultado para outro patamar.

Nenhum dos dois é “melhor”. Cada um conta uma parte da história, e ler os dois em conjunto dá uma visão mais honesta do que olhar para um número só.

Um número não é um veredito

Vale repetir algo que a comunidade editorial não se cansa de dizer: métrica de periódico serve para avaliar periódico. Ela não diz se um artigo específico é bom, nem mede o mérito dos autores. Usar CiteScore ou Fator de Impacto como atalho para julgar um pesquisador em concurso, seleção ou progressão é justamente o tipo de uso que a Declaração de São Francisco sobre a Avaliação de Pesquisa (DORA) recomenda evitar.

E o JAOS?

O Journal of Applied Oral Science está indexado na Scopus na área de Dentistry e teve suas duas principais métricas atualizadas no mês de junho: o CiteScore subiu de 3.9 para 4.0 e o Fator de Impacto passou de 2.7 para 3.0. Métricas, como dissemos, pedem cautela e não contam a história toda. Ainda assim, olhados com esse cuidado, os dois movimentos são um bom sinal do alcance que a produção científica da revista vem conquistando. Mais do que o número deste ano, vale acompanhar a trajetória da revista ao longo do tempo, que é onde a métrica realmente ganha sentido.

No fim das contas, o recado é simples: indicador é ponto de partida, não sentença. Quanto melhor entendemos como cada um é construído, menor a chance de ler o dado errado.

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